De Ponta Cabeça


26/09/2006


 

 O sucesso

Num de meus almoços, tive uma pontada no peito. Com a minha ingenuidade, conclui:

- Estou sofrendo um ataque fulminante!

Logo pensei na minha morte. Lembrei das músicas de minha autoria, todas inéditas. Absolutamente nenhuma pessoa além de mim sabe cantar. E eu ainda não as cantei num gravador para registrá-las. Lembrei de outras coisas importantes minhas até então desconhecidas. 

Tudo estava resumido em 12 anos. Doze anos de imaginação, de esforço. O que adianta ter inventado tantas coisas para morrer antes que os outros saibam o que fiz? Não adianta nada ter feito para só eu saber que fiz algo.

Pode parecer aparentemente inútil, uma ambicão enorme o que penso. Mas se o que a gente fizesse não fosse reconhecido por, pelo menos, uma pessoa, o que nos entusiasmaria a continuar fazendo o que sabemos fazer?

Relutando em meus pensamentos, percebi que, então, todo mundo tem pretensão. Nós dependemos de outras pessoas para saber se o que fazemos nos agrada. Quando escrevemos um texto, queremos obter sucesso com os leitores. Quando cantamos uma música, queremos obter sucesso com a platéia. Quando trabalhamos, tentamos obter sucesso entre os colegas.

Ninguém fala para não ser ouvido. Ninguém come para não se alimentar. Ninguém trabalha para não ter nenhum sentido, nenhuma utilidade.

Se no mundo existisse apenas uma pessoa, essa pessoa viveria sem querer. Ela não iria perder tanto de seu tempo para inventar algo extraordinário, excepcional. Para quê? Só ela veria seu projeto. Esse ser solitário só faria coisas necessárias para sua sobrevivência e morreria sem ter sido uma fonte de cultura. Ela não teria feito porque não teria ninguém para ver. As pessoas já fazem as coisas com a necessidade de apoio, de um elogio para seguir o que sabe. Já uma pessoa sozinha não se esforçaria para si mesmo. Não teria a menor graça. Não teria a menor graça construir idéias sozinho sem ninguém apreciando. E isso é o mundo. Uma dependência de admiradores. A busca pelo sabor gostoso do sucesso, de que se fez e deu certo.

Já que não existe só uma pessoa no mundo, encontramos o êxito e a competição.Quando duas ou mais pessoas fazem coisas semelhantes e só uma delas obtém coisas melhores, provocam ciúmes. Às vezes, inveja. E pensam: se eu faço a mesma coisa que ele, por que ele faz melhor que eu? Assim o esforço dobra. E os inferiores a algumas pessoas fazem tantas, mas tantas tentativas que acabam obtendo sucesso maior ou igual. Então quando um cara vai lá e mostra algo impressionante, um outro cara vai e mostra algo mais impressionante ainda! E surge o vaivém de idéias maravilhosas. A competição é importante: na disputa, a busca é a vitória.

Quem acredita no que faz, faz com cada vez mais vontade e ganha cada vez mais admiradores. Quem não acredita, por mais que seja um ótimo profissional,acaba escondendo o que faz devido a uma absurda vergonha. Por isso, os pessimistas têm de reparar não só nas coisas ruins de sua personalidade, podem estar deixando para trás um enorme talento dentro de si. É preciso se acreditar antes que os demais acreditem.

Quando achei que eu iria morrer no almoço sem mostrar o que já fiz, pensei que seria uma vida em vão. Porque não vivemos por viver, vivemos para provar que vivemos.

Escrito por Mariana às 11h00
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