De Ponta Cabeça


03/04/2006


O OLHAR DE DENTRO DO ÔNIBUS

De dentro do ônibus, faço um olhar diferente. Estranho, cuidadoso, desconfiado, aterrorizado, bonito, feio, de ônibus. Olhar com qualidade de vidro. Vidro transparente, encortinado, mágico. O olhar de vidro de ônibus vai além do limite de qualquer tipo de olhar.

Olhos rápidos, sempre devem ser rápidos, acompanhando a velocidade do veículo. A velocidade faz da viagem empolgante, não repetindo sempre a mesma coisa da janela. Velocidade que empolga os olhos, provoca, testa. A velocidade produz o otimismo no olhar. Otimismo de saber, de conhecer o que se vê.

Construções, prédios, empresas, casas, escolas... tudo isso posso ver sem me levantar. Sem me levantar, conheço cidades. Sem me levantar, penso sem saber que estou pensando. Sem me levantar, entro na fantasia. Fantasia de ser vítima da invasão de olhares. Fantasia de estar em uma viagem.

Distraída, quase perco a minha parada. Mas faço o mesmo em toda a viagem. Os olhos de vidro de ônibus permanecem abertos. Afinal, quem fecha os olhos não desfruta a paisagem.

Escrito por Mariana às 19h34
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