De Ponta Cabeça


24/01/2008


Sandy e Júnior em último show

Escrito por Mariana às 15h46
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30/12/2007


Pra estar sozinha não preciso de você

 

Braços abertos, olhos fechados

Sempre um sorriso e uma mentira

Você não vai mais me evitar

 

Alimentando os teus desejos

Me deixava de lado e o corpo apertado

Com as roupas que você gostava

E mesmo assim eu não te agradava

 

Aceitava tudo que você queria

Fazia tudo que você pedia

Te amava sem amor em troca

Disfarçava pra te alcançar

 

Teus abraços tão distantes

Eu só queria me incluir nos teus instantes

Ter minha vida e não muda-la pra entrar na sua

Poder falar o que penso sem medo de te perder

Pra estar sozinha não preciso de você

 

Beijos confusos

Corpos intrusos

Tinha os seus braços, mas o seu pensamento não estava em mim

Pra estar sozinha assim não preciso de você

 

Escrito por Mariana às 21h57
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23/12/2007


Pra sempre noite

Quem sabe um dia possamos conversar
Brindando à vida em uma mesa de jantar
Guardando o ontem
Brigando o amanhã

A um gole do hoje
Pra sempre noite

Não invente desculpas pra fugir
Você não precisa mentir
Vamos hoje nos divertir
Agora
Pra sempre
Pra sempre noite

Olhando bonito para te conquistar
Falando escrito para te decifrar
Contando estrelas até o dedo enrugar

O tempo passa aos goles
Deixe o tempo passar

Não invente desculpas pra fugir
Você não precisa mentir
Vamos hoje nos divertir
Agora
Pra sempre
Pra sempre noite

Escrito por Mariana às 13h12
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14/12/2007



Fiz tudo isso por você
 
Reguei as flores no jardim
Troquei a lâmpada do quarto
Mudei as cores das paredes
Expus nossos retratos
 
Arrumei o meu cabelo
Me perfumei pra você
Coloquei a melhor roupa
Quando você vai perceber?
 
Beijei o seu rosto
mas você não me deu atenção
Por favor me escute
Desligue a televisão
Por favor
Eu estou aqui
 
Sei que você não quer saber
Mas eu fiz tudo isso por você
 
Preparei um jantar especial
Fiz charme para você
Cheguei mais cedo do trabalho
Quando você vai perceber?
 
Beijei o seu rosto
mas você não me deu atenção
Por favor me escute
Desligue a televisão
Por favor
Eu estou aqui
 
Sei que você não quer saber
Mas eu fiz tudo isso por você

Escrito por Mariana às 12h33
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07/12/2007


 

Manias de amor de verdade

 

Me cansei de você

Não posso te guardar por muito tempo

Não sei mais te amar

Você pode fugir

Eu não vou te impedir

 

Penso em entrar

Portas fechadas

Corpo lacrado

Jóias roubadas

Tudo é apostar

Nós dois como lance

Não adianta segurar

Inventar um romance

 

Te protegi

Não me acho

Me parti em cada abraço

Te procuro

Não me encontro

Você não vem

Não me faço

 

Penso em entrar

Portas fechadas

Corpo lacrado

Jóias roubadas

Tudo é apostar

Nós dois como lance

Não adianta segurar

Inventar um romance

 

Esperar, esperar

Para que me enganar?

Meus sonhos ou tua vontade

Flores e espadas

Fogos estranhos

Manias de amor de verdade

 

Escrito por Mariana às 21h27
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30/09/2007


 

Agora não sei

Sempre acreditei no que senti
Só senti
Sempre acreditei no que vi
Só vi

Nunca imaginei que podia me enganar

Acreditava no que ouvia
E pelas costas, o que se dizia?

Agora não sei
E não preciso saber
Conta outra para me convencer
E não adianta pensar que para me dominar basta mentir
Você não vai me descobrir

Escrito por Mariana às 11h18
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07/04/2007


 

 

 

 

Somos letras

 

 

            Certo dia, eu estava instalando um arquivo no computador. Tratava-se de um jogo. Então, apareceu aquela imagem do planeta Terra mandando vários papéis para uma pastinha quando estava carregando.

            Meu irmão Vicente, de cinco anos, comentou:

            - Quando terminar, o mundo vai ser uma carta.

            - É, e nós vamos ser duas letras.

            Meu irmão, considerando o nome dele e o meu, Mariana e Vicente, concluiu:

            -Eu vou ser a letra V e tu vai ser a letra M.

 

Escrito por Mariana às 19h58
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20/03/2007


 

Sentimento incompleto


Meu amor não é secreto.
Se fosse,
teria que escondê-lo de mim mesma.

Meu amor é platônico.
Cobre o coração de musgo.
Faz esperar o que não vai acontecer.

O musgo cobre meus olhos.
Agora não vejo,
Só sinto.
Só aguardo, água.

Nostálgica,
Invento um romance.
Me equivoco.
Crio um sentimento para me consolar.
Escrevo um falso futuro
Para saciar a sede dos abraços que não ganharei. 
                                                                                                                                   

Tudo é ilusão.
Talvez eu tenha me esquecido
De regar as raízes dos sonhos.

Preciso de uma semente.
Quero o sentimento inteiro.
Quero vê-lo brotar.
  

           

Escrito por Mariana às 12h29
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11/11/2006


 

 

 

Como é escrever bem

 

            Escrever bem não se trata de escrever só por escrever. Procure não ser o esconderijo de seu texto proibindo mãos alheias.

            Escrever bem é desbravar as matas de folhas de ofício. É usurpar suas próprias idéias. Trair seu limite. É colocar uma dinamite na cabeça e deixá-la explodir palavras. É combater o que se sabe e escravizar o aprendizado. Escrever bem é insistir no perdido, acreditar no impossível, e confiar no presente como sua própria casa.

            Para escrever bem, é preciso domesticar assuntos. É colocar ordem nas palavras dotadas de rebeldia. Não é simplesmente usar as palavras, mas colocá-las em fileiras, ser um domador textual. Não apenas crie um texto, mas encharque ele de talento.

            Se iluda, se prenda na realidade. Não enxergue, faça acontecer no papel. Vire um dicionário. Seja um daltônico.Um melancólico. Um angustiado com a própria sorte. Chore. Escandalize seus dedos. Transforme, agilize, qualifique.

            Um texto bacana requer possibilidades de ser diferente. Não o faça critério,torne-o único. Amarre seu pensamento e obrigue o mesmo a desvendar céus e infernos. Saia do seu corpo e se vista com criatividade. É assim, livre de modestidade, de limite, de terreno de mundo. Crie seu mundo no texto.

            Um bom texto não pode ser escondido no papel. Não tenha uma redação prematura antes de ela ao menos nascer.

            Escreva. Apenas escreva. Sem inspiração ou origem. Com um impulso de outro universo.

Escrito por Mariana às 10h17
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23/10/2006


Palavras

Palavras. Simplesmente palavras. Pouco? As usamos todos os dias. Se todos os dias são um simplesmente, então a vida ficaria colocada como um vagar de olhares insignificativos.

            As palavras nascem. Muitas novas palavras são adicionadas no dicionário. Nascem do nada: órfãs de mãe e de pai antes de saberem suas próprias existências. Nascem vira-latas. Penetram em diversos lugares. Absorvem várias raças e várias finalidades. Não acabam, mas começam várias vezes. E recomeçam quando acabam seus projetos.

            São famosas sem precisarem de esforço. Folgadas do próprio talento. São faladas por todos que as conhecem. E algumas rejeitadas: pelas coitadas nascerem feias ou não dotadas de simplicidade. Mas elas não têm culpa: nasceram por nascer, vivem por viver. Vivem de serviços para quem as precisa.

            Os palavrões sofrem. Sofrem de um preconceito até correto. Os palavrões nasceram como todas as outras palavras. Praticam, como palavras normais, serviços para quem as fala. Não têm culpa do que são. Porém, mesmo com a maior inocência, seus significados vão transmitir sempre ofensa. E dói se saber queserve só para se trair, para torturar sua intenção.

            Palavras são símbolos de uma inocência ingênua. Palavras são puras. Ou talvez indefesas? Pois as sacrificamos, todos os dias, sem lhes dar os direitos que merecem. Aposentamos as palavras sem direito a aposentadoria. Então, como ditadores, as expulsamos da linguagem. Não nos importando de como elas serviram. Não pensamos no que serviram. Pensamos em expressar o que serviram em outra palavra.

            Simplesmente, de uma hora para outra, palavras se tornam inúteis. Nunca morrem, pois ficam nos livros, nos cadernos... São torturadas, podemos dizer. Obrigamos as palavras a vivenciar a nossa traição: depois de tanto usá-las, as abandonamos, as deixa-mos sem rumo.

            Se o planeta acabar mesmo, todos nós morreremos. As palavras não. Permanecerão despedaçadas diante de um horizonte de auroras.

           

 

 

Escrito por Mariana às 21h10
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12/10/2006


 

Um passar agoniado

 Já faz algum tempo que eu conversei com um grupo de pessoas sobre meu desperdício. O desperdício dos dias. Eu acabei afirmando:
 - Só aproveito os fins-de-semana. Como tenho que estudar, assistir aulas (entre outras atividades), vivo a semana inteira para chegar sexta-feira. Coloco a semana em vão só para esperar o que vem depois. Para mim, é um desperdício.
 - Sim, é um desperdício: se você considera só três dias da semana inteira.
 Depois dos dias trabalhosos, difíceis, sexta-feira é muito mais que um simples dia. Significa três. Os três mais solenes da semana.
 Sei que é um desperdício viver "de verdade" só uns doze dias destacados entre os trinta, trinta e um dos meses. É insuportável errar desperdiçando não os dias, mas a vida.
 Não tenho o que fazer.O tempo é severo: os dias são os rascunhos dele, que depois de escritos são literalmente apagados. Por isso é que não conseguimos voltar. Só a memória fica com o papel de uma tímida testemunha do que aconteceu. De tão tímida, algumas coisas nem diz, outras esconde no canto dos momentos. Dentre os paraísos estrelados e os infernos, não se tem fronteira. Ficam misturados no horizonte do adeus.
 É muito conhecido tentar "viver cada momento como se fosse o último". Creio que quem inventou esta frase é muito criativo. Mas a polêmica é essa: nem mesmo o próprio autor seguiu completamente a frase. São nos momentos de tédio, os que os esperamos acabar sem nem mesmo tê-los vivido o suficiente: são os momentos jogados fora. Os que não temos nada para fazer, os que devemos esperar algo ou alguém, os que por mais que estejam a maior chatice, não se pode evitar.
Do que adianta tentar fugir do erro do desperdício de tempo se é ele que nunca se cala? Não tem solução. Procuramos só nos divertir com o que gostamos.Talvez a diversão também esteja escondida no fundo do abismo do marasmo. Mas é difícil descer um "abismo"sem fracassar e acabar desperdiçando de novo.
 Segundas-feiras são renegadas. Indicam a chateação renascendo. Eu não gosto da maioria das segundas-feiras. Parece que o fim-de-semana está tão longe que preciso pegar um avião para chegar nele. Tem alguma maneira de viver uma segunda-feira (fora das férias) que não esteja nos dando de bônus um monte de coisas para fazer?
 É isso que me irrita. O tempo. É o gesto de eu estar minada de segundos se indo por dentro. São os anjos que me cercam, esperando os anos se derramarem para me levarem embora.
 

Escrito por Mariana às 13h38
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26/09/2006


 

 O sucesso

Num de meus almoços, tive uma pontada no peito. Com a minha ingenuidade, conclui:

- Estou sofrendo um ataque fulminante!

Logo pensei na minha morte. Lembrei das músicas de minha autoria, todas inéditas. Absolutamente nenhuma pessoa além de mim sabe cantar. E eu ainda não as cantei num gravador para registrá-las. Lembrei de outras coisas importantes minhas até então desconhecidas. 

Tudo estava resumido em 12 anos. Doze anos de imaginação, de esforço. O que adianta ter inventado tantas coisas para morrer antes que os outros saibam o que fiz? Não adianta nada ter feito para só eu saber que fiz algo.

Pode parecer aparentemente inútil, uma ambicão enorme o que penso. Mas se o que a gente fizesse não fosse reconhecido por, pelo menos, uma pessoa, o que nos entusiasmaria a continuar fazendo o que sabemos fazer?

Relutando em meus pensamentos, percebi que, então, todo mundo tem pretensão. Nós dependemos de outras pessoas para saber se o que fazemos nos agrada. Quando escrevemos um texto, queremos obter sucesso com os leitores. Quando cantamos uma música, queremos obter sucesso com a platéia. Quando trabalhamos, tentamos obter sucesso entre os colegas.

Ninguém fala para não ser ouvido. Ninguém come para não se alimentar. Ninguém trabalha para não ter nenhum sentido, nenhuma utilidade.

Se no mundo existisse apenas uma pessoa, essa pessoa viveria sem querer. Ela não iria perder tanto de seu tempo para inventar algo extraordinário, excepcional. Para quê? Só ela veria seu projeto. Esse ser solitário só faria coisas necessárias para sua sobrevivência e morreria sem ter sido uma fonte de cultura. Ela não teria feito porque não teria ninguém para ver. As pessoas já fazem as coisas com a necessidade de apoio, de um elogio para seguir o que sabe. Já uma pessoa sozinha não se esforçaria para si mesmo. Não teria a menor graça. Não teria a menor graça construir idéias sozinho sem ninguém apreciando. E isso é o mundo. Uma dependência de admiradores. A busca pelo sabor gostoso do sucesso, de que se fez e deu certo.

Já que não existe só uma pessoa no mundo, encontramos o êxito e a competição.Quando duas ou mais pessoas fazem coisas semelhantes e só uma delas obtém coisas melhores, provocam ciúmes. Às vezes, inveja. E pensam: se eu faço a mesma coisa que ele, por que ele faz melhor que eu? Assim o esforço dobra. E os inferiores a algumas pessoas fazem tantas, mas tantas tentativas que acabam obtendo sucesso maior ou igual. Então quando um cara vai lá e mostra algo impressionante, um outro cara vai e mostra algo mais impressionante ainda! E surge o vaivém de idéias maravilhosas. A competição é importante: na disputa, a busca é a vitória.

Quem acredita no que faz, faz com cada vez mais vontade e ganha cada vez mais admiradores. Quem não acredita, por mais que seja um ótimo profissional,acaba escondendo o que faz devido a uma absurda vergonha. Por isso, os pessimistas têm de reparar não só nas coisas ruins de sua personalidade, podem estar deixando para trás um enorme talento dentro de si. É preciso se acreditar antes que os demais acreditem.

Quando achei que eu iria morrer no almoço sem mostrar o que já fiz, pensei que seria uma vida em vão. Porque não vivemos por viver, vivemos para provar que vivemos.

Escrito por Mariana às 11h00
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29/06/2006


 

Iruanzinho

Eu gosto de hamsters. Tenho um, Widin, e o outro que não volta mais para mim, Iruan.
Depois de tantos sonhos criados, de felicidade inventada, de uma constante vida que parecia nunca mais terminar. Mas tudo tem seu tempo.Sua era.
É difícil dar um fim para si mesmo, então a própria vida nos dá para nos poupar das atitudes indesejadas.
Iruan ficava solto pelo lavabo e o tratava
como se fosse sua própria casa, seu pedaço de mundo, que botei sob o seu governo. Iruan teve um ano e sete meses para cumprir sua chefia.
Um pouco de muito. O tempo não significou fronteira. Os hamsters não foram talvez feitos para se entender, mas para serem explicados. A única explicação
foi a que não tive. Iru me convenceu de me contentar com o que podia deduzir. Não precisei de palavras para ter meu bichinho. Não precisei de respostas para aceitá-lo.
Não precisei de tempo para perdê-lo.
Fui ver o Iruanzinho numa certa tarde. Estava dormindo. Ele foi sempre gordinho. Não estava mais. Murchou sem dieta. Murchou por comodidade. Peguei-o com pressa. A pressa imprecisa.
A pressa não fez Iru se acordar. Mas não o fez dormir. Imóvel na minha mão, sem precisar de um interrogatório para ir embora.Peguei-o. Mas não senti que ele estava ali.
Para que tanta distância de mim? Fugiu sem levar o próprio corpo. Não estava mais na minha mão. Só sabia que estava longe. Mas em nenhum lugar.
Talvez o espaço branco que ficou de seu governo não foi deixado para trás, mas apenas sido deixado no infinito.
Não entendi no início. Não entendi por que o Iruan não estava ali. Só ri depois de o sentir feliz. Só parei de chorar quando entendi que o Iruan não havia morrido, mas apenas não estava mais comigo.

Escrito por Mariana às 12h48
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29/04/2006


 

 

Sonho X Pesadelo

Sonho ou pesadelo?

Os sonhos são comuns, desejados, popularizados. Leves, fáceis, onde tudo acontece como planejamos. São fantasiosos demais, quase inúteis. Os sonhos são apenas fiéis ao desejo.

Eu gosto do pesadelo. No pesadelo é que aprendemos a enfrentar as realidades indesejadas. São temáticos, oferecem coragem, nos dão a imagem da violência. A violência que devemos superar.

Os pesadelos me fazem enfrentar a mim mesma. Os pesadelos me fazem recuperar a defesa. Os pesadelos fazem de mim corajosa.

O sonho e o pesadelo são irmãos, que brigam muito. Porém, mesmo tentando, não são perfeitos. O sonho tem seu lado ruim, e o pesadelo tem seu lado bom. O pesadelo não quer nos ver sofrer tanto, só um pouquinho, para entusiasmá-lo, para alimentar sua vaidade. Se pesadelos são tão ruins, por que então param na pior parte?

Essa parte fica cutucando a mente. O que será que iria acontecer? O pesadelo é professor, e nos dá a oportunidade de inventar o final. Nenhum original. Esse gosto, só no pesadelo, onde o fim fica infinito.

Escrito por Mariana às 16h11
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03/04/2006


O OLHAR DE DENTRO DO ÔNIBUS

De dentro do ônibus, faço um olhar diferente. Estranho, cuidadoso, desconfiado, aterrorizado, bonito, feio, de ônibus. Olhar com qualidade de vidro. Vidro transparente, encortinado, mágico. O olhar de vidro de ônibus vai além do limite de qualquer tipo de olhar.

Olhos rápidos, sempre devem ser rápidos, acompanhando a velocidade do veículo. A velocidade faz da viagem empolgante, não repetindo sempre a mesma coisa da janela. Velocidade que empolga os olhos, provoca, testa. A velocidade produz o otimismo no olhar. Otimismo de saber, de conhecer o que se vê.

Construções, prédios, empresas, casas, escolas... tudo isso posso ver sem me levantar. Sem me levantar, conheço cidades. Sem me levantar, penso sem saber que estou pensando. Sem me levantar, entro na fantasia. Fantasia de ser vítima da invasão de olhares. Fantasia de estar em uma viagem.

Distraída, quase perco a minha parada. Mas faço o mesmo em toda a viagem. Os olhos de vidro de ônibus permanecem abertos. Afinal, quem fecha os olhos não desfruta a paisagem.

Escrito por Mariana às 19h34
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